quarta-feira, 8 de abril de 2020

6. FILOSOFIA: ANTES DO SURGIMENTO E ORIGEM


ANTES DO SURGIMENTO DA FILOSOFIA

Antes do surgimento da Filosofia, as questões consideradas inexplicáveis (ou cujas respostas não se tinha no momento) eram respondidas pelos Sacerdotes e Sacerdotisas (Oráculo: predições) dos Templos na cidade de Delfos.

As respostas (predições) eram proferidas, ouvidas, aceitas e não questionadas. 

Sacerdotes e sacerdotisas eram um dos maiores poderes na Antiga Grécia. Eram ouvidos em questões complexas, até assuntos políticos e pessoais.

As respostas eram dadas em forma de histórias, com personagens, enredos, etc. São os Mitos.

Exemplo: 
Por que existem as quatro estações? (Mito de Ceres e Perséfone); 
Por que pai e filha, mãe e filho não podem contrair matrimonio? (Mito de édipo); 
Por que a vaidade extrema é ruim? (Mito de Narciso); 
Por que a ganância não é boa? (Mito do Rei Midas); etc.


ORIGEM  

Todavia, alguns gregos começaram a ficar descontentes com algumas respostas. Começaram, então, a questionar. E foram além, começaram a acreditar que era possível obter respostas seguras, confiáveis, apenas seguindo sua razão, sua racionalidade.

Assim, para as questões inexplicáveis e/ou espantosas, para as quais antes se recorria para a autoridade religiosa, agora se recorre à razão, à capacidade racional do ser humano. O ser humano começa a buscar por si só as respostas para aquilo que eles desconheciam.


Essa capacidade de se espantar, de questionar a realidade, de se admirar com os fenômenos e coisas, e buscar - por meio de um comportamento investigativo - o porquê de sua origem e existência, vai dar origem à Filosofia.

A Filosofia surgiu na Grécia antiga, no início do século VI a.C..

Ela é grega em sua origem. O que não significa que apenas os gregos foram capazes de criar um modo de pensar organizado, coerente e abrangente. Até porque os chineses, os mesopotâmicos, os astecas, etc., também construíram suas filosofias. No entanto, somente a Grécia conseguiu construir um sistema de pensamento tão amplo, profundo, sistemático e racional.

Isso não quer dizer que a Filosofia grega tenha sido criado e aceita por unanimidade pelos gregos da época. Ao contrário, cada filósofo tinha a sua filosofia, a sua teoria, à qual os demais filósofos corrigiam ou apresentavam uma totalmente diferente. Assim, as teorias duelavam entre si e apenas as mais bem elaboradas persistiam.

Esses primeiros pensadores buscavam nos elementos da natureza as respostas sobre a origem dos fenômenos, do ser e do mundo. Focando principalmente nos aspectos da natureza, eram chamados de filósofos da physis (fisis)  ou filósofos da natureza.

Foram eles os responsáveis pela transição da consciência mítica (quando os gregos aceitavam as respostas mítico-religiosas) para a consciência filosófica (quando os gregos passaram a buscar novas respostas racionais, lógicas). Com isso, esses primeiros filósofos buscaram dar uma explicação racional para a origem de todas as coisas.

A mitologia grega explicava o universo através de uma cosmogonia (cosmo = universo, e gónos = gênese, nascimento, origem). A cosmogonia grega dava sentido a tudo o que existe através da ideia de nascimento a partir de uma relação (sexual) entre os deuses.

Esses primeiros filósofos ou filósofos pré-socráticos (porque vieram antes de Sócrates) abandonaram essa ideia e construíram uma cosmologia, ou seja, uma explicação do universo baseado no lógos ("argumentação", "lógica", "razão"). Os deuses deram lugar à natureza na compreensão sobre a origem das coisas.

A Filosofia nascida com esses primeiros filósofos deu origem a toda uma produção de conhecimento e de representação da realidade. Toda essa construção serviu como base para o desenvolvimento da cultura ocidental.


Os principais desses primeiros filósofos do período pré-socrático foram: 

1. Tales de Mileto
Nascido na cidade de Mileto, região da Jônia, Tales de Mileto (624 a.C. - 548 a.C.) acreditava que a água era o principal elemento, o princípio de tudo, ou seja, era a essência de todas as coisas.     


“Tudo é água.”


2. Anaximandro de Mileto
Aluno-discípulo de Tales e nascido em Mileto, para Anaximandro (610 a.C. - 547 a.C.), o princípio de tudo estava no elemento denominado “ápeiron”, uma espécie de matéria infinita.  
     
De onde as coisas têm seu nascimento, ali também devem ir ao fundo, segundo a necessidade; pois têm de pagar penitência e de ser julgadas por suas injustiças, conforme a ordem do tempo.”


3. Anaxímenes de Mileto
Aluno-discípulo de Anaximandro e nascido também em Mileto, para Anaxímenes (588 a.C. - 524 a.C.), o princípio de todas as coisas estava no elemento ar.  
    
“Como nossa alma, que é ar, nos mantém unidos, assim um espírito e o ar mantêm unido também o mundo inteiro; espírito e ar significam a mesma coisa.”


4. Heráclito de Éfeso
Considerado o “Pai da Dialética”, Heráclito (540 a.C. - 476 a.C.) nasceu em Éfeso e explorou a ideia do devir (fluidez das coisas). Para ele, o princípio de todas as coisas estava contido no elemento fogo.  

"Não poderias entrar duas vezes no mesmo rio." 


5. Pitágoras de Samos
Filósofo e matemático nascido na cidade de Samos. Pitágoras (570 a.C. - 497 a.C.) afirma que os números foram seus principais elementos de estudo e reflexão, do qual se destaca o “Teorema de Pitágoras”. Ele também foi responsável por chamar de "amantes do conhecimento" aqueles que buscavam explicações racionais para a realidade, dando origem ao termo filosofia ("amor ao conhecimento").


“Tudo é número”
“A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo.”


6. Xenófanes de Cólofon
Nascido em Cólofon, Xenófanes (570 a.C. - 475 a.C.) foi um dos fundadores da Escola Eleática, se opondo contra o misticismo na filosofia e o antropomorfismo (concepção dos  deuses como figuras humanas). Ele acreditava que não poderia haver uma multiplicidade de deuses componentes do Universo, pois esse era uno. A unidade e a imutabilidade eram o princípio e o fim de tudo. A ideia de um deus único, imortal e imutável era, então, o princípio de tudo. 

Enquanto eterno, o ente também é ilimitado, pois não possui começo a partir do qual pudesse ser, nem fim, onde desapareça.”


7. Parmênides de Eléia
Foi aluno-discípulo de Xenófanes. Parmênides (530 a.C. - 460 a.C.) nasceu em Eléia. Focou nos conceitos de “aletheia” (a luz da verdade) e “doxa” (opinião). Ele identificou o Universo como um todo imutável. A mudança era apenas resultado dos enganosos sentidos humanos. Ele não formulou uma teoria baseada em um princípio (arché) material e definido. O ser das coisas era o princípio fundamental.           

O ser é e o não ser não é.”


8. Zenão de Eléia
Foi aluno-discípulo de Parmênides. Zenão (490 a.C. - 430 a.C.) nasceu em Eléia. Foi grande defensor das ideias de seu mestre filosofando, sobretudo, acerca dos conceitos de “Dialética” e “Paradoxo”. Para ele não há mudança, portanto, também não há surgimento/geração, pois as coisas sempre foram e sempre serão da mesma forma (igual à concepção de Parmênides). A mudança e o movimento eram frutos das ilusões provocadas pelos sentidos.Zenão acreditava na unidade do ser como princípio, em detrimento da pluralidade.    

O que se move sempre está no mesmo lugar agora.”


9. Demócrito de Abdera
Nascido na cidade de Abdera, Demócrito (460 a.C. - 370 a.C.) foi discípulo de Leucipo. Para ele, o átomo (o indivisível) era o princípio de todas as coisas, desenvolvendo assim, a “Teoria Atômica”.    

Nada existe além de átomos e do vazio.”


Bons estudos e até a próxima!

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