segunda-feira, 13 de abril de 2020

11. DIFERENÇAS ENTRE MITO E FILOSOFIA



O surgimento da Filosofia se deu na Grécia, mais precisamente com a formação da pólis (Cidade-Estado) grega. Lá, os cidadãos discutiam a política da cidade em público, tentando chegar à melhor forma de organização da sua sociedade.

Isso motivava o uso do raciocínio, da reflexão e a chamada "atitude filosófica". Com o tempo, as pessoas não discutiam apenas a política, mas se indagavam acerca de vários aspectos de suas vidas, da vida de sua cidade, da natureza, do universo, etc., o que levou ao crescimento da investigação e  reflexão racional.
O mito surgiu como narrativas de povos gregos antigos para explicar fenômenos da natureza que não podiam compreender. Era e é geralmente utilizado para explicar a origem de acontecimentos.
Já a filosofia é o estudo e reflexão de questões relacionadas à existência humana. Também reflete sobre o conhecimento, valores morais e estéticos, pensamento e linguagem.
Ao contrário do mito, que possui suas explicações baseadas na crença, a filosofia é um conhecimento metódico baseado na razão e na lógica.
Desta forma, a transição (passagem, mudança) entre o pensamento mítico e o pensamento racional aconteceu de forma progressiva.

Os filósofos pré-socráticos buscaram nos elementos da natureza a resposta sobre as origens.


O QUE MITO E FILOSOFIA TÊM EM COMUM?

Ambos buscam explicar as origens, sendo basicamente essa a característica que os aproxima. Vejamos, entretanto, quais as suas diferenças.

MITO
FILOSOFIA
Função
Explicação e leitura da realidade
Explicação e leitura da realidade
Fundamentação do conhecimento
Crença
Razão
Elementos para a construção do conhecimento
Imagens e símbolos
Raciocínio lógico
Características
Fantástico, imaginário
Verdadeiro, real
Sobrenatural
Natural
Inquestionável
Questionável
Fantasia, incoerência
Razão, coerência
Irracional
Lógico

O QUE É MITO?
É uma narrativa criada pelos antigos gregos para explicar acontecimentos e fenômenos da natureza que não podiam entender. Na maioria dos casos, o mito pode ter um fundo de verdade, baseado em um acontecimento real ou nas relações dos indivíduos com o mundo.
Por não possuir a lógica como fundamento, os mitos assumem um caráter fantástico (fantasioso). Porém, um mito não significa um “conto de fadas”. Isto porque carrega em si a explicação para fenômenos relacionados à existência humana.
Os mitos buscavam dar sentido às coisas em uma época que não havia outro modo para explicá-las. Portanto, um mito é mais que uma narrativa ficcional.
Exemplos de mitos
Os mitos mais famosos surgiram na Antiguidade Grega. Naquela época, os deuses eram utilizados para representar diversos aspectos da vida e do planeta.
Como exemplo, vamos citar dois mitos gregos:
A Caixa de Pandora
Pandora abre a caixa e liberta todos os males sobre a Terra
Na história, a personagem Pandora tinha ganhado uma caixa do pai dos deuses, a qual era proibida de abrir.
Movida por sua curiosidade, Pandora abre a caixa e acaba libertando todos os males no mundo: doenças, guerras, velhice, ódio, ciúme, entre outros. Arrependida imediatamente, Pandora fecha a caixa, mas já era tarde demais.
A única coisa que sobrou no fundo da caixa era algo pequeno: a esperança.
A moral da história: apesar de todos os males, ter a esperança sempre guardada no coração, por menor que seja, é um sinal de que tudo pode ser diferente. Afinal, algo pode ser feito por aqueles corrompidos pelos terrores saídos da caixa.
Os 12 trabalhos de Hércules
Héercules luta contra o Leão de Nemeia.
O filho de Zeus com uma mortal desencadeou um ciúme doentio em Hera, a esposa do deus dos deuses. Por isso, Hera, a deusa dos casamentos, da maternidade e das esposas, passou a perseguir o semideus de forma ferrenha.
Em um dos episódios em que Hércules perde a cabeça por causa de Hera, o herói acaba por matar a própria esposa e os próprios filhos. Para se redimir deste feito terrível, Hércules então é incubido de realizar 12 trabalhos. Eram eles:
·       Matar o maior leão do mundo, o Leão de Nemeia;
·       Matar a monstruosa Hidra de Lerna;
·       Capturar a Corça de Cerineia;
·       Capturar o Javali de Erimanto vivo;
·       Limpar em um dia os currais do Rei Aúgias;
·       Matar e expulsar monstros do Lago Estínfalo;
·       Levar o Touro de Creta vivo ao Rei Euristeu;
·       Castigar Diómedes, o Rei da Trácia;
·       Vencer as amazonas e vestir o cinto da Rainha Hipólita;
·       Matar o monstro gigante Gerião;
·       Colher os pomos de ouro do Jardim das Hespérides;
·       Trazer à Terra o guardião do mundo dos mortos, Cérbero.
Por ser um mito com milhares de anos, a ordem dos trabalhos de Hércules pode aparecer diferente, dependendo do autor.
Entretanto, todos os trabalhos passaram a ser vistos como uma jornada espiritual do herói. As metáforas e alegorias utilizadas no mito serviam para a reflexão. Isto porque Hércules, arrependido de uma das maiores atrocidades que poderia cometer, enfrentou a morte diversas vezes em busca de redenção.
Estes são exemplos de mitos que até hoje são contados ao redor do mundo. Entretanto, há diversos mitos recentes, uma vez que podem surgir baseados em acontecimentos históricos ou que carreguem simbolismo suficiente para que ganhem a forma de mito.

O QUE É FILOSOFIA?
Do mito ao saber filosófico foi um longo caminho. A palavra filosofia vem do grego philosophia, e significa “amor pela sabedoria”. É um ramo de estudo que procura compreender os aspectos fundamentais da existência humana. Ela também reflete de forma racional sobre o conhecimento, os valores morais e estéticos, a mente humana, a verdade, a linguagem e o universo como um todo.
Origem da filosofia
Por volta do século VI a.C., a Grécia era um lugar em que muitas culturas se encontravam. Por isso, recebia influências de diversas partes do mundo. Isso também contribuiu para a relativização das crenças existentes. Muitos indivíduos passaram a refletir sobre o mundo e suas condições de forma crítica, sem recorrer às crenças relacionadas à mitologia grega (marcada pelo comando dos deuses sobre os homens a partir de suas vontades).
Estudo da filosofia
O Pensador, de Auguste Rodin, em Paris.
Por abordar de forma racional os assuntos que debate, a filosofia é diferente da mitologia e da religião. Porém, ela é questionada pelo meio científico (Ciência) por não utilizar métodos empíricos (comprováveis).
Entretanto, a filosofia é extremamente importante para o desenvolvimento de métodos utilizados em teorias, projetos educacionais e até mesmo em instituições científicas. Isto porque questiona e analisa racionalmente o conhecimento humano.
Por estar presente em praticamente todas as áreas de conhecimento, e até no conhecimento em si, o estudo da filosofia é dividido entre vários segmentos. Entre eles, destacam-se:
·       A metafísica;
·       A lógica;
·       A ética;
·       A política;
·       A estética;
·       A teoria do conhecimento;
·       A filosofia da mente;
·       A filosofia das ciências naturais e sociais;
·       A fenomenologia;
·       A filosofia da linguagem;
·       A filosofia da física;
·       A filosofia da matemática;
·       A filosofia da religião.
Portanto, a filosofia é um ramo que busca compreender racionalmente diversos aspectos da existência humana, e até mesmo a existência humana em si. E, apesar de não contar necessariamente com uma metodologia empírica, é crucial para o desenvolvimento de teorias e metodologias do conhecimento.


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