domingo, 31 de maio de 2020

18. PERÍODOS DA FILOSOFIA GREGA

 PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO - OS FILÓSOFOS DA NATUREZA

Trata-se do período em que a investigação filosófica se caracterizava pela reflexão a respeito da origem e da essência do mundo natural (cosmos). Os filósofos desse período são chamados de pré-socráticos, pois vieram antes de Sócrates, ou até simultaneamente. Mas todos eles, focaram na Natureza, e, a partir da observação dos fenômenos naturais, tentaram compreender o mundo, sua origem e sua essência. Eles podem ser considerados os pioneiros da ciência na busca do conhecimento.

Eles acreditavam que na própria Natureza poderiam ser encontradas as explicações para os seus fenômenos.

ALGUNS PRÉ-SOCRÁTICOS E SEUS PRINCÍPIOS PRIMORDIAIS

Filósofo

Princípio natural, primeiro, de todas as coisas

Tales de Mileto

A água (tudo vem do úmido)

Anaximandro

O indeterminado, infinito, e sempre em movimento

Anaxímenes

O ar

Empédocles

A água, a terra, o fogo e o ar (combinados,  compõem a natureza)

Anaxágoras

As homeomerias (sementes microscópicas, que formavam tudo)

Demócrito

Os átomos

Pitágoras

números, isto é, nas relações matemáticas

Heráclito

o fogo que representa a mudança, a transformação, o devir.

Parmênides

o ser (em tudo há uma permanência inalterável, mesmo na mudança)

 

PERÍODO PRÉ-SOCRÁTICO OU COSMOLÓGICO

 A filosofia pré-socrática se desenvolve em cidades da Jônia (na Ásia Menor): Mileto, Éfeso, Samos e Clazômena; em cidades da Magna Grécia (sul da Itália e Sicília): Crotona, Tarento, Eleia e Agrigento; e na cidade de Abdera, na Trácia.

Os principais filósofos pré-socráticos foram:

• os da Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso;

• os da Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Cro­tona e Árquitas de Tarento;

• os da Escola Eleata: Parmênides de Eleia e Zenão de Eleia;

• os da Escola da Pluralidade: Empédocles de Agrigento, Leucipo de Abdera e Demócrito de Abdera.

As principais características da cosmologia são:

• Uma explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da natureza.

• A busca do princípio natural, eterno, imperecível e imortal, gerador de todos os seres. A cosmologia não admite a criação do mundo a partir do nada; ela afirma a geração de todas as coisas por um princípio natural de onde tudo vem e para onde tudo retorna. Esse princípio é uma natureza primordial chamado physis.

• physis: Palavra de origem grega que significa "fazer surgir fazer brotar, fazer nascer, produzir"

physis não pode ser conhecida pela percepção sensorial (esta só nos oferece as coisas já existentes), mas apenas pelo pensamento.

physis é a natureza tomada em sua totalidade, isto é, a natureza entendida como princípio e causa primordial da existência e das transforações das coisas naturais (os seres humanos aí incluídos) e entendida como o conjunto ordenado e organizado de todos os seres naturais ou físicos.

• Que physis é imortal e as coisas físicas são mortais.

• Que o mundo está numa mudança contínua, sem por isso perder sua forma, sua ordem e sua estabilidade. A mudança – nascer, mudar de qualidade ou de quantidade, perecer – se diz em grego kínesis.

• kínesis: Vocábulo que significa "movimento". Por movimento, os gregos não entendem apenas mudança de lugar ou locomoção, mas toda e qualquer alteração ou mudança qualitativa e/ou quantitativa de um ser, bem como seu nascimento e seu perecimento.

Essa passagem, no entanto, não é caótica, pois obedece a leis determinadas pela physis.

Embora todos os pré-socráticos afirmassem as ideias que acabamos de expor, nem por isso concordaram ao determinar o que era a physis. Tales dizia que a physis era a água ou o úmido; Anaximandro considerava que era o ilimitado, sem qualidades definidas; Anaxímenes, que era o ar ou o frio; Pitágoras julgava que era o número (entendido como estrutura e relação proporcional entre os elementos que compõem as coisas); Heráclito afirmou que era o fogo; Empédocles, que eram quatro raízes (úmido, seco, quente e frio); Anaxágoras, que eram sementes que contêm os elementos de todas as coisas; Leucipo e Demócrito disseram que eram os átomos.

 

PERÍODO SOCRÁTICO OU ANTROPOLÓGICO

 Com o desenvolvimento das cidades, do comér­cio, do artesanato e das artes militares, Atenas tornou-se o centro da vida social, política e cultural da Grécia, e viveu seu período de esplendor, conhecido como o Século de Péricles.

É a época de maior florescimento da democracia. Surgia, assim, a figura política do cidadão.

Para conseguir que sua opinião fosse aceita nas assembleias, o cidadão precisava saber falar e ser capaz de persuadir os demais. Com isso, uma mudança profunda vai ocorrer na educação grega.

Antes da instituição da democracia, as cidades eram dominadas pelas famílias aristocráticas, senhoras das terras e do poder militar. Essas famílias, valendo-se dos grandes poetas gregos, Homero, Píndaro e Hesíodo, criaram um padrão de educação próprio dos aristocratas. Esse padrão afirmava que o homem ideal ou perfeito era o guerreiro belo e bom. Belo: seu corpo era formado pela ginástica, pela dança e pelos jogos de guerra, imitando os heróis da guerra de Tróia (Aquiles, Heitor, Ajax, Ulisses). Bom: seu espírito era formado escutando Homero, Píndaro e Hesíodo, aprendendo com eles as virtudes admiradas pelos deu­ses e praticadas pelos heróis; a principal delas era a coragem diante da morte, na guerra. A virtude era a aretê, própria dos melhores, ou, em grego, própria dos aristoi.

• aretê: Palavra grega que significa "excelência e superioridade"

O ideal da educação do Século de Péricles já não é a formação do jovem guerreiro, belo e bom, e sim a formação do bom cidadão.

Ora, qual é o momento em que o cidadão mais aparece e mais exerce sua cidadania? Quando opina, discute, delibera e vota nas assembleias. Assim, a nova educação estabelece como padrão ideal a for­mação do bom orador, isto é, aquele que sabe falar em público e persuadir os outros na política.

Para dar aos jovens essa educação, substituindo a educação antiga dos poetas, surgiram, na Grécia, os sofistas. Que diziam e faziam os sofistas? Diziam que os ensinamentos dos filósofos cosmologistas estavam repletos de erros e contradições e que não tinham utilidade para a vida da pólis. Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão aos jovens, que aprendiam a defender a posição ou opinião A, depois a posição ou opinião contrária, não-A.


PERÍODO CLÁSSICO OU SISTEMÁTICO

O filósofo Aristóteles de Estagira era discípulo de Platão. Passados quase quatro séculos de filosofia, Aristóteles apresenta, nesse período, uma verdadeira enciclopédia de todo o saber que foi produzido e acumulado pelos gregos em todos os ramos do pensamento e da prática, considerando essa totalidade de saberes como sendo a filosofia.

Essa classificação e distribuição dos conhecimentos fixou, para o pensamento ocidental, os campos de investigação da filosofia como totalidade do saber humano.

Cada campo do conhecimento é uma ciência (em grego, epistéme).

O estudo dos princípios e das formas do pensamento, sem preocupação com seu conteúdo, foi chamado por Aristóteles de analítica, mas, desde a Idade Média, passou a se chamar lógica. Aristóteles foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do saber.

A lógica não é uma ciência, mas o instrumento para a ciência e, por isso, na classificação das ciências feita por Aristóteles, a lógica não aparece, embora ela seja indispensável para a filosofia e, mais tarde, tenha-se tomado um dos ramos específicos dela.

 

Referências:

CHAUI, Marilena. Filosofia: Novo Ensino Médio, Volume único. São Paulo: Ática, 2010, p. 40-48.

BUCKINGHAM, Will; BURNHAM, Douglas. O livro da Filosofia. São Paulo: Globo, 2011, p. 46-63.

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